Entrevista com Andreas Stroebel, CEO da ASCOMP Software
Caros seguidores da Luso Delphi!
Hoje, estamos a entrevistar Andreas Stroebel, CEO da ASCOMP Software. Entre outros produtos, a ASCOMP desenvolve o Synchredible, um dos softwares de backup mais utilizados no mercado, inclusive por mim!
Se tu quiseres saber mais sobre a ASCOMP, visite o site www.ascompsoftware.com.
Vamos à entrevista!
(poderá ler a entrevista original em inglês neste link)
Caro Andreas!
Antes de mais nada, é um prazer ter aceite nosso convite e responder às nossas questões. A Luso Delphi aprecia a sua atenção!
- Andreas, apresente-se, por favor:
Antes de tudo, muito obrigado pelo simpático convite! Meu nome é Andreas Stroebel, CEO da ASCOMP Software, na Alemanha. Sendo o único desenvolvedor de software da empresa – temos apenas funcionários em regime de meio período ou freelancers, por exemplo, para contabilidade, design gráfico, mídias sociais – sou responsável por todo o planeamento e implementação dos projetos de software. Como Delphi é minha linguagem e ambiente favoritos para o desenvolvimento de aplicações, todos os aplicativos da ASCOMP foram desenvolvidos em Delphi (exceto Space Profiler / C#).
Brevemente sobre mim: nasci em 2 de outubro de 1981 em Stuttgart, onde fundei minha empresa aos 18 anos e a transformei em uma empresa Lda. (GmbH na Alemanha) em 2003.
Sobre Delphi e sua trajetória profissional:
- Podes nos contar um pouco sobre sua trajetória com Delphi e como começou a trabalhar com essa linguagem?
Claro. Comecei a programar por volta dos meus 14 anos de idade. Naquela época – ainda na era do Windows 3.11 – dei meus primeiros passos no QBasic e, após pouco tempo, mudei para o Visual Basic com o Windows 95. Gostei bastante do Basic, mas o Visual Basic tinha uma grande desvantagem para mim: todo programa precisava ser entregue com as bibliotecas de execução do VB para funcionar. Como meu primeiro grande projeto, após algumas brincadeiras, como um gerenciador de futebol, foi criar um instalador semelhante ao InnoSetup ou InstallShield, fazer em Delphi foi a opção mais lógica para mim; ele (o Delphi) não tinha bibliotecas de execução e os ficheiros .exe compilados eram relativamente pequenos (a volta de 300 kb). A mudança do VB para o Delphi 5 foi bastante fácil para mim, mesmo não havendo Stack Overflow na época (deve ter sido por volta de 1998). As seções de FAQ de alguns portais menores de Delphi e seus fóruns ajudaram a publicar o “Z-Up Maker” após cerca de dois meses de desenvolvimento – que consegui vender várias milhares de vezes até vendê-lo a um concorrente em 2000.
- Quais versões do Delphi tu usaste e quais consideras mais estáveis ou com mais recursos?
Como mencionei, comecei com o Delphi 5. Depois disso, usei quase todas as novas versões do Delphi, mas usei o Delphi XE por mais tempo e ainda é o meu favorito hoje. Quando preciso de suporte para 64 bits, uso o Delphi 10 Seattle. Na minha opinião, o Delphi XE é o mais estável, então é minha primeira escolha para novos projetos, a menos que eu tenha requisitos específicos que o XE não possa atender. É um pouco antigo, mas a estabilidade e o fato de eu ter muitos componentes para o Delphi XE o torna a primeira escolha para mim.
Eu também usei o AppMethod e desenvolvi um aplicativo que permitia medir a distância de tacadas de golfe via GPS. Mas foi um “prazer” curto porque havia muitos problemas com iOS e também com dispositivos Android.
- Quais componentes ou bibliotecas adicionais tu consideras essenciais para o desenvolvimento com Delphi?
Primeiro e acima de tudo, Indy. Para tudo relacionado à Internet e redes, esta ainda é uma ótima suíte de componentes. Além disso, há ótimas suítes da LMD e TMS com vários componentes, especialmente para o design de GUIs atraentes e confortáveis.
- Quais foram os maiores desafios técnicos que tu enfrentastes a usar Delphi e como os superaste?
Além de alguns pequenos problemas com o Unicode, não me lembro de grandes problemas ou desafios que não pudessem ser facilmente superados com Delphi. Fora do Delphi, houve algumas coisas que me deram noites sem dormir, como o UAC do Windows ou problemas de 32/64 bits. Como desenvolvedor de soluções de backup, por exemplo, foi difícil aceder outras áreas de ficheiros, ou seja, fazer backup de ficheiros e pastas das áreas de 64 bits com um aplicativo de 32 bits.
Olhando para trás, porém, tenho que dizer que o Delphi raramente me apresentou tarefas insolúveis. Isso poderia ter sido diferente se eu tivesse projetos relacionados a hardware. Para o desenvolvimento de aplicações padrão para Windows, no entanto, ainda é a solução mais produtiva e conveniente para mim hoje.
- Quais as melhores práticas recomendadas para desenvolver em Delphi?
Esta pergunta é difícil de responder de maneira geral. Do ponto de vista empresarial: como empresário, o desenvolvimento produtivo e “seguro” é minha principal prioridade. Por “seguro”, quero dizer que prefiro confiar em tecnologias comprovadas, componentes ou bibliotecas já existentes em vez de reinventar a roda toda vez.
Além disso, eu diria, de uma forma geral, usarmos as inúmeras fontes na Internet: por exemplo, Stack Overflow e os vários fóruns e portais de Delphi. Já existe uma solução para quase todos os problemas de programação; às vezes só precisamos procurar um pouco e, claro, depois adaptar o código às suas próprias necessidades.
- Qual é a sua visão para o futuro do Delphi no mercado de desenvolvimento de software?
Não tenho uma visão concreta. Eu acho que a Embarcadero faz um trabalho muito bom. Claro, os bons e velhos tempos da Borland tinham um charme muito especial. Mas, por mais que a preocupação com a CodeGear fosse grande, a Embarcadero mostrou que pode manter o Delphi vivo. Embora, quando mudei do Visual Basic para o Delphi, o Delphi fosse praticamente considerado morto.
Entretanto, não tenho certeza se o Delphi deveria ter sido aberto para o desenvolvimento mobile. As especificações técnicas no setor de smartphones mudam muito rapidamente. É por isso que conheço poucos desenvolvedores mobile a utilizarem Delphi.
Vamos falar um pouco sobre a sua empresa:
- O que te motivou a iniciar sua empresa de desenvolvimento de software?
Resumidamente: meu avô. Ele também era empreendedor, e meu pai também, de certa forma. Ficou claro para mim desde cedo que eu queria ter minha própria empresa e construir meus próprios produtos. O desenvolvimento de software foi uma ótima oportunidade para desenvolver meus próprios produtos sem um alto custo de produção e baixos custos (N. do T.: de venda).
- Quais são os principais desafios que enfrentas na gestão da sua empresa de software e como superaste-os?
Por um lado, o ritmo acelerado do setor de tecnologia. O que era moderno ontem pode estar defasado hoje e ser completamente substituído amanhã.
Por outro lado, as leis em constante mudança. Como empresário, constantemente temos que adaptar nossa oferta, tanto online quanto offline, às leis mais recentes. Isso custa muito tempo e dinheiro.
Mas, temos que aceitar o ritmo acelerado da vida. Há também o lado positivo, por exemplo, novas oportunidades e, portanto, novos produtos.
Em última análise, as leis estão aí para proteger o consumidor. Pelo menos a maioria delas.
- Como vês o Delphi adaptando-se às rápidas mudanças na tecnologia e nas necessidades do mercado?
Como mencionado antes, na minha opinião, a Embarcadero faz um trabalho muito bom. Sempre há coisas que podem ser melhoradas, mas como sou desenvolvedor, também sei que nunca podes agradar a todos os utilizadores. Só temos que aceitar isto. Tanto como desenvolvedor, quanto como utilizador.
Para os novos desenvolvedores Delphi:
- Quais são alguns dos erros mais comuns que vês os desenvolvedores a cometerem com Delphi e como eles poderiam evitá-los?
Como na verdade eu tenho muito pouco a ver com os códigos-fonte de outros desenvolvedores, é difícil responder a essa pergunta. Porém, em geral, acho que coisas como comentar adequadamente o seu próprio código-fonte e um bom rastreamento de bugs são muito importantes. Isso não apenas ajuda a te encontrares de volta no seu próprio código-fonte mesmo depois de muito tempo, mas também a dar aos novos desenvolvedores um início fácil no caso de uma possível venda do projeto.
- Existem recursos, livros ou formações que recomendarias para desenvolvedores que desejam aprofundar seus conhecimentos em Delphi?
Atualmente, provavelmente muito poucos desenvolvedores ainda leriam um livro de programação, isso era diferente no meu início. Como eu agora quase só uso o Stack Overflow e os fóruns relevantes de Delphi, essas também seriam minhas sugestões como primeiro ponto de contato para dúvidas ou problemas.
- Que conselho tu darias para alguém que está a começar a aprender Delphi hoje?
Para lidar não apenas com Delphi e sua sintaxe, mas também com a arquitetura do dispositivo ou o sistema para o qual desejas principalmente desenvolver. Isso economiza muito trabalho, porque os sistemas atuais já fornecem muitas funções na forma de SDKs ou bibliotecas que tinhas que programar por conta própria no passado.
- Para quem quiserem saber mais sobre a ASCOMP, o que devem fazer?
Informações sobre os produtos da ASCOMP podem ser encontradas no nosso site, ou és bem-vindo a seguir-nos nas nossas redes sociais: Instagram, Linkedin e Facebook
A Luso Delphi agradece pelo tempo que passastes connosco!
Muito Obrigado, Andreas!
